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Tigre de Bengala
Terça-feira, Junho 15, 2004
EU
Eu acho que esta deve ser a primeira vez que eu vou escrever algo pessoal aqui, a maioria das vezes, quando vocês entram aqui, o que vocês encontram são fotos ou informações, a maioria relacionadas com humor, talvez isso pareça para alguns que eu seja uma pessoa super animada (até o nome do blog tem um sentido irônico)... Mas, na verdade, atrás destas mensagens e imagens humoradas existe uma pessoa triste que está em busca da felicidade o tempo inteiro, e tenta ser feliz com as pequenas coisas, mas hoje eu descobri que se alegrar com pequenas coisas pode ser bastante perigoso, principalmente porque as pequenas coisas podem não significar nada (por serem tão pequenas) para outras pessoas, e, por isso não significar nada para essas outras pessoas, elas podem facilmente destruir essas pequenas coisas sem imaginar que esta atitude pode estar destruindo a felicidade de outras pessoas...
TIAGO MEDEIROS - 3:38 PM
Pegue
na Bengala do Tigre:
Quarta-feira, Junho 02, 2004
NAMOROFOBIA
(Danusa Leão)
A praga da década são os namorofóbicos.
Homens e mulheres estão cada vez mais arredios ao título de namorado, mesmo que, na prática, namorem.
Uma coisa muito estranha.
Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem.
Têm alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês.
Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar uns intervalos regulamentares, que é para não parecer namoro.
É tua namorada?
- Não, a gente tá ficando.
Ficando aonde, cara pálida?
Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade.
Devem temer que ao chamar de namorada (o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento não vai.
Não a menos que seja um (a) psicopata.
Mais pata que psico.
Namorar é leve, é bom, é gostoso.
Se interessar pelo outro e ligar pra ver se está tudo bem, pode não ser cobrança, pode ser saudade, vontade de estar junto, de dividir.
A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado.
Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO.
Antes, o problema era outro: CASAMENTO. Ui. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.
Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo.
Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome
Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar?
Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado.
Não é porque "a gente tá ficando" que não se deve respeito, carinho e cuidado.
Não é porque "a gente tá ficando" que voce vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ou que não é filhadaputice.
Não é porque "a gente tá ficando" que o outro passa a ser mais um número no rol das experiências sexuais - e só.
Ou é? Tô ficando velha?
Se estiver, paciência.
TIAGO MEDEIROS - 9:37 AM
Pegue
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